"Um marco do poder das elites cafeicultoras do Segundo Reinado". Nas palavras de Cícero Antonio de Almeida, autor de Catete, memórias de um Palácio, assim é descrito o prédio hoje conhecido como Museu da República.

O Palácio do Catete foi construído entre 1858 e 1867 para servir de residência a Antonio Clemente Pinto, o Barão de Nova Friburgo, e sua família até 1889. Projetado pelo arquiteto alemão Gustav Waehneldt, o Palácio apresenta influência da arquitetura italiana renascentista. Nele trabalharam artistas e artífices alemães, portugueses e brasileiros, e sua decoração privilegiou materiais importados. Após a morte do barão, o Palácio foi herdado por seu filho, o Conde de São Clemente.

Em 1889, foi vendido à Companhia do Grande Hotel Internacional, que não chegou a transformar o prédio num hotel de luxo, como pretendia, devido a sua falência prematura. Foi, então, adquirido por um dos seus acionistas, o conselheiro Mayrink, que, em 1896, vendeu o Palácio à Fazenda Federal. Naquele mesmo ano, foi decidida a transferência da Presidência da República do Palácio Itamaraty para o Palácio Nova Friburgo. A inauguração solene da nova sede da presidência se deu em 24 de fevereiro de 1897, sendo a partir de então conhecido como Palácio do Catete. Serviu de sede do Poder Executivo até 1960.

Com a inauguração de Brasília, o presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira inaugura o Museu da República, instalado no Palácio do Catete, em 15 de novembro de 1960.

Vários eventos de importância para a História do Brasil têm registro nas salas do Palácio, como a morte do Presidente Afonso Pena em 1909, a assinatura da declaração de guerra contra a Alemanha em 1917, a visita dos reis da Bélgica em 1920, a posse do governo provisório da Revolução e a visita e hospedagem do Cardeal Pacelli, futuro Papa Pio XII em 1934. O Presidente Getúlio Vargas assinou, em 1942, a declatação de guerra contra o Eixo no Salão Ministerial; poucos poderiam, então, pensar que o seu suicídio, com um tiro no coração, ocorreria em 1954 em seu aposento no terceiro andar do Palácio.

Com as paredes de suas fachadas revestidas de granito e mármore rosa e as portadas em mármore branco, ele tem uma posição de destaque em relação às residências aristocráticas da época. Está integrado ao urbano, junto à circulação do povo. O parque não era utilizado para acesso, mas como área de recolhimento e tranqüilidade. As águias de bronze no alto do prédio não são as originais, que eram sete, de tamanho menor, e foram substituídas em 1897, com a chegada da presidência, por esculturas que representavam as estações do ano, a agricultura, o comércio e a República. As atuais foram colocadas por volta de 1909, quando o Palácio do Catete passou a ser chamado também de Palácio das Águias.

O prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1938.

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